Num dia aguardado à algum tempo com ansiedade, a minha mãe pegou-me pela mão e ensinou-me o caminho para a escola. Com algum sacrifício, os meus pais optaram por me matricular numa escola particular da terra. Fui o primeiro a chegar e de imediato apresentado àquela que seria a minha professora primária durante quatro anos. Chamava-se D. Bia e marcou de forma firme e segura o meu futuro.
Era uma escola diferente, onde na mesma sala de aulas estavam alunos da 1.ª até à 4.ª classe, o que nos permitia ir aprendendo matérias de anos futuros com a mesma facilidade com que aprendíamos as nossas.
A seguir a mim chegou o João Luís, aluno já da 3.ª classe mas que de imediato se sentou junto a mim e ajudou a fazer o primeiro exercício da minha vida académica: encher a primeira folha do caderno com a letra "a". Era mesmo assim, não havia aulas de apresentação ou de adaptação, era chegar e começar de imediato a aprender o principio da escrita.
Quando chegou a hora do almoço já fui sozinho para casa e sozinho regressei à escola nessa tarde. E assim foi até terminar a 4ª classe.
Eram outros tempos, mas não me lembro de ver os pais ou os avós irem buscar os miúdos à saída escola, nem com chuva, nem com sol. A partir do primeiro dia de aulas ganhávamos uma certa independência como se tivéssemos subido um patamar na escala da vida. Estávamos a caminhar para homenzinhos.
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